Confesso que fui induzido pelo título Ilha da Flores a pensar em lugar com uma diversidade fauna e muitas, mas muitas flores e até me atrevo a alongar flores de todos os tipos.
Mas…
O documentário brasileiro “Ilha das Flores” foi lançado em 1989 por Jorge Furtado e mostra a realidade de um bairro homônimo ao filme da periferia de Porto Alegre.
Retratando de maneira didática e linguagem simples como a desigualdade social entre classes reflete na questão ambiental atrelada a hábitos de consumo desenfreados em um sistema de consumo capitalista onde o verbo ter é mais valorizado do que o verbo ser.

Este curta metragem contrasta a realidade entre as classes sociais onde uma vive numa sumptuosidade e a outra vive na extrema pobreza e o que é lixo se torna a única fonte de renda e subsistência de uma população toda.
Em meio a uma forte crítica social é inegável que o documentário traz uma pauta “o que não é adequado para alimentar os porcos será compartilhado com os humanos” e esta cena paralisa, revira o nosso estômago e nos faz pensar no poema de Manoel Bandeira lançado em 1947 “O Bicho” e traz luz “O que fez “o bicho” revirar o lixo foi a fome”.
A Ilha das flores é uma fotografia social onde os lixões a céu aberto são grandes depósitos de lixo sem nenhum tratamento adequado como reciclagem, compostagem ou até mesmo incineração e uma questão social muito dura onde as pessoas sobrevivem dos “restos” em meio a exposição a doenças, contaminação por micro-organismos e animais peçonhentos e a exposição ao perigo de corte por vidro, metais e perfuro-cortantes.

Lixão a céu aberto
Para muitos, o material disponível nestes lixões é a única esperança de colocar comida na mesa e a única fonte de renda para a sua subsistência de forma “digna” na linha da pobreza.
E todo este resíduo sólido depositado sob o solo expõe a possível contaminação química do solo. Existe uma legislação federal que é praticada para detectar se há contaminação tanto no solo quanto no lençol freático. A legislação Resolução CONAMA nº 420 de 28 de dezembro de 2009 dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento ambiental de áreas contaminadas por estas substâncias em decorrência de atividades antrópicas.
A maior parte da fonte de lixo é residencial de forma que as investigações de contaminação adotadas no Anexo II – tabela de valores máximos permitidos da resolução CONAMA nº 420/2009.
A ilha das flores nos traz uma reflexão dos valores sociais, éticos, ambientais que a sociedade capitalista-consumista tende a utilizar o meio ambiente de uma maneira predatória e destrutiva e isso, norteia para um cenário crítico e desolador. As mudanças urgem e a Ciência é uma aliada para reverter este cenário caótico que em estamos vivendo.


